Erros mais comuns no processo de cidadania italiana

O processo de reconhecimento da cidadania italiana parece simples no papel: provar a linha de descendência e reunir os documentos certos. Na prática, é onde a maioria dos processos trava — não por falta de direito, mas por erros evitáveis que custam meses (às vezes anos) de atraso, ou até a recusa do pedido. Reunimos os erros mais frequentes que vemos em processos de brasileiros descendentes de italianos.

1. Não verificar se a linha de descendência foi interrompida

O erro mais comum e mais grave. Se o ascendente italiano se naturalizou brasileiro antes do nascimento do filho seguinte na linha, a transmissão da cidadania para aquele filho (e para todos os descendentes depois dele) foi interrompida. Muita gente começa a reunir documentos sem checar esse detalhe primeiro — e descobre o problema só depois de meses de trabalho.

2. Ignorar o “caso das mulheres” (linha materna antes de 1948)

Antes de 1º de janeiro de 1948, a legislação italiana não permitia que mulheres transmitissem a cidadania aos filhos. Se a sua linha passa por uma mulher que teve um filho antes dessa data, o reconhecimento não pode ser feito pela via administrativa no consulado — só pela via judicial, na Itália. Tratar esse caso como um pedido administrativo comum é um erro que leva à recusa automática.

3. Erros de grafia e nomes não corrigidos entre gerações

Sobrenomes “abrasileirados”, acentos perdidos, nomes compostos registrados de formas diferentes em cada certidão — tudo isso gera divergências entre os documentos da cadeia. Cada divergência precisa ser resolvida com retificação de registro civil ou documentação complementar antes de seguir adiante. Ignorar essas diferenças é um dos motivos mais comuns de pedido devolvido ou atrasado.

4. Traduções juramentadas ou apostilamentos malfeitos

Documentos brasileiros usados no processo precisam de tradução juramentada para o italiano e da Apostila de Haia. Erros de tradução, apostilamento no documento errado, ou documentos fora da validade exigida pelo consulado (algumas certidões precisam ser recentes) geram devolução do processo inteiro — não apenas do documento com problema.

5. Escolher a via errada para o seu caso

Via administrativa (consulado ou comune na Itália) e via judicial (tribunal italiano) têm requisitos, prazos e custos muito diferentes. Escolher a via administrativa para um caso que só é viável pela via judicial (como os casos de linha materna pré-1948) — ou o contrário, judicializar um caso simples que seria mais rápido pela via administrativa — é um erro estratégico que custa tempo e dinheiro.

6. Não considerar as mudanças trazidas pelo Decreto-Lei 36/2025

Desde março de 2025, o reconhecimento da cidadania por descendência não é mais automático para qualquer geração. O Decreto-Lei nº 36/2025 (convertido na Lei nº 74/2025) passou a exigir, via de regra, que pai ou avô do requerente tenha nascido na Itália (ou tenha sido exclusivamente cidadão italiano), com poucas exceções. Bisnetos e gerações mais distantes perdem o direito automático ao reconhecimento fora desses critérios.

Ficam fora dessa restrição os pedidos protocolados — administrativa ou judicialmente — até 27 de março de 2025. Filhos menores de italianos já reconhecidos também têm prazos de transição específicos para registro. Em abril de 2026, a Corte Constitucional italiana confirmou a constitucionalidade dessa regra (Sentença nº 63/2026), rejeitando o questionamento apresentado pelo Tribunal de Turim — mas alguns pontos, como o caso de quem tentou protocolar e não conseguiu agendamento a tempo, ainda estão sendo discutidos em outros tribunais.

Tratar o processo como se a regra antiga (sem limite de gerações) ainda valesse é hoje um dos erros mais custosos: pode levar a meses de trabalho em um caso que não é mais elegível pela via automática, quando existiam alternativas estratégicas desde o início.

7. Achar que o reconhecimento é o fim do processo

Ser reconhecido como cidadão italiano não encerra o processo. Depois do reconhecimento, é preciso se inscrever no AIRE e só então solicitar o passaporte. Quem trata o reconhecimento como ponto final costuma descobrir esse detalhe tarde — geralmente na hora em que precisa do passaporte com urgência.

8. Começar sem uma pesquisa genealógica completa

Iniciar o processo sem mapear toda a árvore genealógica antes é como construir uma casa sem planta. Problemas que poderiam ser identificados (e resolvidos) logo no início — linha interrompida, caso pré-1948, divergência de nomes — acabam aparecendo no meio do processo, quando já custaram tempo e dinheiro.

O reconhecimento não é sorte, é técnica

Cada um desses erros tem uma coisa em comum: são identificáveis antes de começar, com uma análise correta do caso. É exatamente esse trabalho — pesquisa genealógica, mapeamento da linha e escolha da via certa — que evita que um processo de meses vire um processo de anos.

Se você quer entender se sua linha tem algum desses pontos de atenção antes de começar, a Speranza Cidadania Italiana faz essa análise por você.

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