Por que tantos brasileiros estão indo para a Itália — e como fazer isso legalmente

Há algo acontecendo em silêncio há décadas — e que nos últimos anos passou a ser impossível ignorar.

Brasileiros estão indo para a Itália. Em números crescentes, com perfis cada vez mais variados e por razões que vão muito além do que a imagem do “sonho europeu” consegue capturar.

Não se trata de um fenômeno novo. Mas a escala e a velocidade com que esse movimento se acelerou entre 2020 e 2025 colocam o Brasil em um posto que poucos imaginavam: o de segunda maior comunidade italiana no mundo, com mais de 910 mil cidadãos registrados nos consulados — atrás apenas da Argentina.

Este artigo não é um guia turístico nem um manual de autoajuda sobre recomeços. É uma leitura honesta sobre quem está indo, por que está indo, o que mudou legalmente em 2025 e o que é preciso entender antes de tomar qualquer decisão.

Um número que diz tudo — e os que ficam escondidos

Em 2024, cerca de 68 mil brasileiros tiveram sua cidadania italiana reconhecida — por via administrativa ou judicial. Esse número representa apenas os processos concluídos naquele ano. A fila de quem aguarda reconhecimento é muito maior.

Para ter uma ideia da escala: em 2023, os consulados de São Paulo e Buenos Aires juntos processaram 28% de todas as cidadanias italianas reconhecidas no mundo inteiro. Dois consulados. Dois países. Um quarto do movimento global.

O Brasil, sozinho, respondeu por mais de 60% de todos os reconhecimentos de cidadania italiana por descendência em 2024. Não é coincidência — é história.

Entre 1880 e 1930, mais de 1,5 milhão de italianos desembarcaram no Brasil, principalmente nos estados do Sul e Sudeste. Vêneto, Friuli, Trentino, Calábria — regiões inteiras exportaram famílias inteiras. Essas famílias criaram filhos brasileiros que falavam italiano em casa, mantiveram sobrenomes, costumes e, sem saber, transmitiram um direito que só agora começa a ser reivindicado em escala.

Estima-se que cerca de 15% da população brasileira possa ter esse direito. A maioria nunca investigou.

Por que as pessoas estão indo — além do clichê

Há uma narrativa simplificada que circula nas redes: “brasileiros fogem do Brasil por causa da insegurança”. É parcialmente verdade, mas reduz demais um fenômeno complexo.

Quando se conversa com quem já fez a transição, os motivos aparecem em camadas.

A primeira camada é econômica. O euro vale mais. A previdência funciona. O sistema de saúde pública cobre o que precisa cobrir. Para famílias com filhos pequenos, a conta da educação — que no Brasil pode consumir uma parcela significativa da renda — na Itália, e na Europa em geral, tende a ser radicalmente menor, especialmente no ensino superior.

A segunda camada é de qualidade de vida cotidiana. Transporte público que funciona. Cidades em escala humana. Menor pressão de trânsito. Acesso fácil a outros países europeus. Uma rotina com menos atrito.

A terceira camada — e talvez a mais subestimada — é identitária. Para descendentes de italianos, a Itália não é um destino estrangeiro. É uma origem. Muitos chegam com o sobrenome do bisavô, encontram o comune onde a família nasceu, veem a própria história escrita em pedra. Isso não tem equivalente econômico.

Esses três fatores combinados — e não isolados — explicam por que o movimento cresceu mais de 180% entre 2018 e 2024 em termos de brasileiros residentes formalmente registrados na Itália.

O que mudou em 2025 — e o que permanece

Em março de 2025, o governo italiano sancionou o Decreto-Lei 36/2025, convertido na Lei 74/2025, que alterou as regras do reconhecimento de cidadania por descendência.

Até então, não havia limite de gerações: bisavô, trisavô, tataravô — qualquer italiano na cadeia familiar era suficiente. A partir da nova lei, o reconhecimento por via administrativa ficou restrito a filhos e netos de italianos. Para bisnetos e descendentes mais distantes, o caminho passou a ser exclusivamente judicial.

Isso teve dois efeitos práticos imediatos.

O primeiro foi de pânico. Grupos de WhatsApp, fóruns e influenciadores espalharam a mensagem de que “o direito acabou”. Não acabou. O caminho ficou mais longo e mais caro para alguns — mas continua existindo.

O segundo efeito, menos comentado, foi jurídico. Em julho de 2025, a Corte Constitucional italiana, por meio da sentença 142/2025, reafirmou que a cidadania por descendência é imprescritível e constitucional. Em fevereiro de 2026, o Tribunale di Palermo proferiu uma das primeiras decisões de mérito sob a nova lei, reconhecendo cidadania em casos que se enquadravam nas exceções previstas, abrindo precedente para quem segue a via judicial.

O que permanece é o movimento. Quem tem a documentação em ordem, ou investe em organizar agora, continua tendo um caminho real.

Quem está indo — o perfil de quem faz a transição

Ao contrário do que o imaginário coletivo sugere, quem emigra para a Itália hoje não é, majoritariamente, alguém em situação de vulnerabilidade buscando alternativas de sobrevivência.

O perfil mais comum entre os brasileiros que fazem esse caminho de forma planejada é outro: profissionais entre 30 e 50 anos, com renda estabelecida no Brasil, filhos em idade escolar e a percepção de que o futuro que querem para a família dificilmente se constrói no ambiente atual brasileiro.

São engenheiros, médicos, advogados, empreendedores, professores universitários. Pessoas que não estão fugindo — estão escolhendo.

Há também um segundo perfil crescente: o dos jovens entre 22 e 35 anos que obtiveram a cidadania italiana e decidem construir carreira diretamente na Europa, aproveitando a mobilidade que o passaporte italiano oferece dentro do espaço Schengen e além.

E um terceiro perfil, menos visível mas economicamente relevante: famílias que já têm patrimônio constituído no Brasil e buscam diversificar — adquirindo imóvel na Itália como base de moradia e como investimento em um mercado com dinâmica completamente diferente do brasileiro.

A diferença entre ir e chegar

Esse é o ponto que separa histórias de sucesso de histórias de arrependimento.

Ir para a Itália é fácil. Com o passaporte italiano, a entrada é irrestrita e a permanência é ilimitada. O problema não é chegar — é criar estrutura depois que se chega.

Moradia, escola para os filhos, conta bancária, número fiscal (codice fiscale), inscrição no AIRE, acesso ao sistema de saúde, compreensão do mercado de trabalho local ou das condições para manter atividade profissional remota — cada um desses pontos tem especificidades que, para quem chega sem preparação, viram obstáculos que consomem tempo, dinheiro e energia emocional.

A diferença entre a família que se estabiliza em seis meses e a que passa dois anos em modo de crise quase sempre está no planejamento feito antes do embarque — não na coragem de quem foi.

Planejamento migratório não é burocracia. É entender, antes de sair, qual é a estrutura jurídica, financeira e logística que vai sustentar a nova vida.

O que a Speranza faz nesse processo

A Speranza atua em dois momentos distintos da jornada.

O primeiro é o reconhecimento da cidadania — via administrativa para filhos e netos, via judicial para bisnetos e descendentes mais distantes. Esse é o ponto de partida legal: sem o reconhecimento formalizado, a permanência na Itália depende de outras categorias de visto, mais restritas e mais instáveis.

O segundo momento é o relocation — o planejamento concreto da transição. Isso inclui pesquisa de imóvel (aluguel ou compra), identificação de regiões que combinam com o perfil de vida da família, suporte na abertura de documentação local, contato com escolas e serviços na região de destino e acompanhamento nos primeiros meses de instalação.

A base da Speranza no Vêneto — região que concentra uma das maiores diásporas italianas do Brasil — não é coincidência. É onde boa parte das raízes está, e onde boa parte das famílias que assessoramos escolhe criar nova raiz.

Se você está pensando nessa transição — seja no estágio de entender se tem direito à cidadania, seja no estágio de planejar a mudança concreta — o melhor primeiro passo é uma conversa com quem já conduziu esse processo.

Fale com a equipe Speranza pelo WhatsApp. Descrevemos o seu caso, avaliamos o ponto em que você está e indicamos o caminho mais realista para onde você quer chegar.

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